Foto: Komehachi888
Decidi começar o ano com mais uma mudança, para que esta actividade não se dê por finda junto com 2007. O resultado é este: o Café com Leite mudou-se agora para aqui. Não sei se será uma mudança definitiva, até porque as malas e bagagens ainda aqui estão, mas não deixa de ser uma nova aventura que tenho sempre necessidade de empreender no início do ano.
S.
Foto: Boyintree92
Entre os meus desejos para 2008 encontram-se a esperança, a fé e a coragem.
ESPERANÇA porque é ela que me instiga, que me faz sair da cama nas manhãs frias de Inverno e me faz ir trabalhar nos dias quentes de Verão. É ela que me faz rir através do sentido que dá à vida e me faz chorar perante a beleza e grandeza de algumas pessoas...
FÉ, em mim, acima de tudo, e nos que me rodeiam. Em 2008 preciso acreditar um pouco mais...
CORAGEM para pôr em prática as minhas resoluções de ano novo e torná-las em acções...
Que 2008 seja o que dele quisermos e conseguirmos fazer.
S.
Foto: un4gtabeann
O Natal está mesmo à porta e o tempo veio dar uma ajuda a essa necessidade de conforto extra, de recolhimento, de partilhar momentos tranquilos com aqueles de quem gostamos, mas raras vezes o Natal acontece assim, dessa maneira idílica; raras vezes vestimos as nossas melhores roupas (vermelhas de preferência) e nos sentamos à mesa para uma ceia elegante; raras vezes temos como único ruído de fundo um CD com músicas da época; raras vezes o nosso Natal pode ser comparável aos que fazem capas de revista onde a harmonia impera... o meu Natal não é assim definitivamente... Somos oito (este ano já só somos 8), com idades entre os 4 e os 83 anos e somos muito pouco harmoniosos: gritamos; vestimos roupas quentes e com pouco glamour; vemos os noticiários; o chão da sala tem sempre vestígios da lenha que alimenta a grande lareira; na ceia de dia 24 o aroma que se instala é o de couves cozidas e no dia 25 o de cabrito assado; assim que acabamos uma refeição, voltamos a encher a mesa de doces; dormitamos no sofá embalados pela Música no Coração que passa na televisão e podemos estar cheios de sono mas esperamos sempre pela meia-noite para distribuir os presentes... enfim, reina a confusão... mas é o nosso Natal, o meu Natal com a minha família e todos os seus defeitos e qualidades... e apesar de tudo, é assim que gosto dele.
Feliz Natal!
S.
Foto: Kim Anderson
CARTA ABERTA AO PENSAR NAS MALDADES QUE FIZ AO LONGO DESTE ANO
Como é meu costume, este ano fui mau, mas é assim a natureza humana. Esqueci-me de investir na relação com os outros. Falho sempre nesta matéria, que devia ser simples, mas que é a mais difícil, pois nela gastamos tanta energia. Este ano, fui muitas vezes cruel, Pai Natal. Não me refiro às crueldades que estragam a vida às pessoas à minha volta, mas das pequenas e numerosas tiranias quotidianas, que afectam a vida alheia, muitas vezes sem que a gente se aperceba. Envenenamos o ambiente, usamos as arestas dos conflitos, por vezes lançamos faúlhas sobre o combustível das emoções.
Em pecados, sou do orgulho e da inveja. O primeiro é o pior. O orgulhoso imagina-se mais que os outros. Da minha inveja, não me apercebo habitualmente. Mas essa emoção domina-me quando encontro alguém melhor do que eu. Em vez de sentir alegria, de me querer aproximar, sinto que a natureza foi injusta comigo, ao criar um ser mais perfeito, que admiro secretamente, enquanto desejo a sua destruição. É terrível, eu sei, ter uma alma assim. E lamento o tom ingénuo desta minha carta, pois sei que o senhor nem sequer existe.
Pensei em escrever-lhe quando me tentei lembrar das minhas maldades deste ano. Não encontrei nenhuma alarmante, das que dão arrependimento, mas todas tinham complexas justificações. Sou uma pessoa como as outras: uso do sarcasmo, sei humilhar. Mas, ao pensar no que fiz de errado este ano, foi como se tentasse recordar o que aprendi ontem. Muitos factos minúsculos. Pequenas infracções, que merecem multa, mas que não são crime.
Nas cartas que recebe, Pai Natal, há uma parte em que lhe pedem presentes. Aqui, serei tão ambicioso como na vida real (a ambição é uma ilusão, mas não lhe resisto). Peço-lhe que faça algo pelo drama do Darfur, que vi na televisão. Quero paz no mundo e entendimento entre os líderes. Felicidade para todos. Se existisse, sei o que o senhor estaria a pensar: que sou um simples hipócrita. Porque peço a paz no mundo, se não a conheço à minha volta? Admito. A paz no mundo é distante, está fora do meu alcance, enquanto que a paz à minha volta depende de me tornar melhor pessoa. E isso exige esforço, Pai Natal, dispêndio de energia, até alguma coragem. Por isso, admiro (e de alguma forma odeio) as pessoas que são tão melhores do que eu, porque usam a sua vontade e estão próximas da sabedoria. Se o senhor existisse, estaria a pensar que esta minha natureza humana não é promissora. Onde falhei? Sobretudo nas omissões, no que não fiz, nos sorrisos que evitei, nos gestos amenos que esqueci. Na indiferença. Em nada me parecer importante. Enfim, na hipótese improvável de existir, Pai Natal, conceda-me este desejo: permita-me adquirir compaixão, mas sem esforço... sem esforço.
Autor: Luís Naves, no DN de 2007-12-14
E parece-me que o mesmo se passa com os perniciosos doces de Natal, sim, perniciosos e deliciosos... e descobri esta máxima incontestada logo agora que começou a lufa-lufa dos almoços, lanches e jantares da quadra festiva em que todos sorrimos e discutimos coisas banais, como o tempo, a assinatura do tratado na próxima 5.ª e as festas dos colégios das criancinhas ("A minha vai fazer de Pai Natal, e a tua?").
Amanhã tenho o 1.º destes convívios... Espero que não tenham bolo de bolacha, nem mousse, nem pudim de ovos, nem cheesecake como sobremesas... antevejo desde já a minha vã resistência. Bem vistas as coisas não são só as roupas que encolhem, a capacidade de pensar mais além fica profundamente alterada. Esperemos que Janeiro nos devolva a normalidade.
S.
Foto: Monvlad
Besos Brujos
¡Déjame, no quiero que me beses!
Por tu culpa estoy sufriendo
la tortura de mis penas...
¡Déjame, no quiero que me toques!
Me lastiman esas manos,
me lastiman y me queman
No prolongues más mi desventura,
si eres hombre bueno así lo harás.
Deja que prosiga mi camino,
te lo pido a tu conciencia,
no te puedo amar.
Besos brujos, besos brujos
que son una cadena
de desdicha y de dolor.
Besos brujos...
yo no quiero que mi boca maldecida
traiga más desesperanzas
en mi alma... en mi vida...
Besos brujos...
¡Ah, si pudiera arrancarme
de los labios esta maldición!
¡Déjame, no quiero que me beses!
Yo no quiero que me toques,
lo que quiero es libertarme...
Nuevas esperanzas en tu vida
te traerán el dulce olvido,
pues tienes que olvidarme.
Deja que prosiga mi camino,
que es la salvación para los dos...
¿Que ha de ser tu vida al lado mío?
¡El infierno y el vacío!
Tu amor sin mi amor.
Rodolfo Sciammarella - Alfredo Malerba
P.S. Em Buenos Aires celebra-se hoje o Dia do Tango... para mim, o jogo supremo da sedução.
Foto: Love Chocolate
Já está! Instalada na nova casa e ligada ao mundo (depois de mais de uma semana unplugged, finalmente tenho Internet e TV Cabo). Espero regressar à normalidade dentro de poucas semanas e com isto quero dizer:
Foto: Wiseacre Photo
Não chovia em 1999. Estava um dia de céu azul com um sol radioso. Acordei cedo, muito cedo para um Sábado, mas também era um Sábado diferente e não fui a única a madrugar. Fui ao cabeleireiro, porque é da praxe, e o Vítor fez-me um apanhado com rosas vermelhas, iguais às do bouquet. Ao regressar a casa o frenesim era total e pouco depois de me vestir e maquilhar a casa estava cheia. O resto do dia foi com certeza idêntico a todos os dias em que há um casamento: gente bonita, família, amigos, comida farta, bebida em abundância, músicas pedidas, o Take this waltz com as hungarian lanterns de Leonard Cohen a assinalar a primeira dança dos noivos, risos, choros, promessas... Recordo 1999 para te dar os parabéns por 8 anos de altos e baixos, amores e desamores, conversas sussurradas e outras mais exaltadas (eu e a minha tendência para não ser monocórdica...) e todos os outros antagonismos que fazem parte de uma vida partilhada. Se assim não fosse era um conto de fadas e esses devem ser uma maçada!
S.
Foto: Lane Collins
Palavras para quê? Quem já passou por uma mudança sabe o que eu quero dizer... Começo a desconfiar que os objectos se multiplicam durante a noite...
Foto: Lowry Lou
Para a minha irmã:
Consegues sentir a leveza deste dia? Enche-te dela, alimenta-te dela, respira-a, transpira-a... Pode-te parecer que, de repente, te sentes perdida no vazio, sem prazos, sem horários, mas o que importa é que estás igualmente vazia de culpa por não os cumprires (pois é, acabou-se!). Finalmente, posso dizer PARABÉNS SRA. DOUTORA!!!
Foto: Coffe Cup
Caixas, sacos, plásticos protectores, fitas adesivas... a entrada da minha casa transformou-se num estaleiro. 8 anos de vida (3 vidas), roupas, livros, loiças, recordações, quadros, fotografias e tanto, tanto mais. Embora não seja ainda muito visível, aos poucos a casa esvazia-se da sua personalidade. E ainda agora, que estou prestes a sair, descubro perspectivas novas, como ontem, quando deitada no sofá olhei para um recanto da sala como se nunca o tivesse visto...
S.
Foto: vincos
“Martinho era filho de um soldado do exército romano e, como mandava a tradição, filho de militar segue a vida militar, como filho de mercador é mercador e filho de pescador devia ser pescador. Martinho estudou em Pavia, para onde a família foi viver, e entrou para o exército com 15 anos, tendo chegado a cavaleiro da guarda imperial. Tinha a religião dos seus antepassados, deuses que faziam parte da mitologia dos romanos, deuses venerados no Império Romano, que, como é óbvio, variavam um pouco de região para região, dada a imensidão do Império. As Gálias teriam os seus deuses próprios, como os tinham a Germânia ou a Hispânia.
O jovem Martinho não estava, porém, insensível á religião pregada, três séculos antes, por um homem bom de Nazaré. Um dia aconteceu um facto que o marcou para toda a vida. Numa noite fria e chuvosa de Inverno, às portas de Amiens (França), Martinho, ia a cavalo, provavelmente, no ano de 338, quando viu um pobre com ar miserável e quase nu, que lhe pediu esmola e Martinho, que não levava consigo qualquer moeda, num gesto de solidariedade, cortou ao meio a sua capa (clâmide) que entregou ao mendigo para se agasalhar. Os seus companheiros de armas riram-se dele, porque ficara com a capa rasgada. Segundo a lenda, de imediato, a chuva parou e os raios de sol irromperam por entre as nuvens.”
Adaptado de Maria Luísa V. de Paiva Boléo, no Portal O Leme
Mais uma lenda que nos devia inspirar a partilhar o que temos ao invés de desviarmos os olhos para as montras brilhantes. Mais uma lenda que nos devia fazer pensar que, pelo menos este ano, podíamos tentar fazer do Dia de S. Martinho muito mais do que lume, castanhas e vinho.
Foto: Rune T
Com o aproximar do final do ano já são habituais as notícias sobre as subidas do preço da água, do gás, da electricidade, dos combustíveis (não só no final do ano mas também ao longo), do pão, etc., etc. Hoje, no entanto, parece-me que foram longe demais... aumentar o preço do chocolate entre 5% e 10%? A justificação é que o preço da tonelada de cacau está agora nos 1640 euros, mais 30% que no início do ano. Bem dependendo das carências, até que 1640€ por tonelada não é caro... Fica a boa notícia de que nos podemos abastecer até ao Natal, porque até lá os preços mantêm-se!
Foto: Geatestdancer
Décimo primeiro mês do ano, na cultura ocidental, o seu nome tem, porém, origem em "nono", por ter ocupado esta posição no calendário de Rómulo, antigo calendário romano que só tinha dez meses (novembris de nonus mensis?).
Por ser um mês em que se honrava Neptuno, o deus do mar, os romanos celebravam as festas Neptunais onde se realizavam jogos plebeus, que duravam três dias. As festividades assim prolongadas perderem-se ao longo dos anos, mas ainda temos, a 11 de Novembro, o dia de São Martinho que se festeja com castanhas e vinho.
Apesar da mudança da hora me deixar sempre um pouco deprimida pela falta de luz, existe algo que me compensa desta ausência – os vendedores de castanhas que enchem o ambiente de um fumo que se confunde com a humidade do aproximar da noite, os tapetes de folhas vermelhas, amarelas e castanhas que rangem ao serem trilhados, o brilho das luzes na rua, os primeiros agasalhos para o frio que nos surpreende à saída do trabalho e, finalmente, o aconchego de chegar a casa…
Novembro é desde há vários anos sinónimo de grandes acontecimentos e mudanças na minha vida. E este, definitivamente, não é excepção… venham elas, pois então.
Algumas personalidades nascidas neste mês:
A actriz portuguesa Fernanda Serrano, o escritor português José Saramago, o estilista inglês John Galliano, o realizador bósnio Emir Kusturica, o futebolista português Luís Figo e o escritor angolano Manuel Rui.
Alguns provérbios de Novembro:
- Cava fundo em Novembro, para plantares em Janeiro
- Trintas dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro; de vinte e oito, só há um, e os mais têm trinta e um
- Novembro à porta, geada na horta
- Outubro lavrar, Novembro semear, Dezembro nascer
Adaptado de Maio in Infopédia, Porto Editora, 2003-2007, http://www.infopedia.pt
Fotografia: Humberto Marum
“Si pudiera vivir nuevamente mi vida.
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría más entardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido, comeríamás helados y menos habas, tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fuí una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos;no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin un termómetro,una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas;si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.”
Jorge Luis Borges
P.S. Pois eu só tenho 33 anos, e antes que chegue aos 85, hoje, 31 de Outubro de 2007, cometi uma loucura... ah... e o Café com Leite está de volta...
Foto: Rob W.
"The itsy-bitsy spider
Climbed up the water spout
Down came the rain
And washed the spider out
Out came the sun
And dried up all the rain
And the itsy-bitsy spider
Climbed up the spout again."
Fotografia: Pier Luigi
Parafraseando uma frase ícone da Bomba Inteligente, deixem-me dizer que “Eu hoje acordei assim...” Bem, para ser franca, não foi só hoje e não é apenas um problema matinal, isto é, não é uma daquelas sensações estranhas que se tem ao ouvir o despertador mas que depois do duche e do café passa... Esta instalou-se.
Prometo voltar quando a sensação de voar sem rede me abandonar. Por enquanto estou em plena actuação circense...virei trapezista, e a rede lá em baixo tem a robustez de uma teia de aranha...
Esta chávena de café com leite fica, assim, pousada em cima da mesa, meia cheia... Prometo, no entanto, dar um salto aos cafés de que gosto.
Até breve.
S.

Por 4 anos de alegrias, choros, gargalhadas, noites sem dormir, dias inteiros a brincar, birras, etc, etc, etc... muitos parabéns ao nosso Rei Leão!
Fotografia: Blairware
Meti a chave na fechadura, rodei-a e finalmente regressei a casa. Desde sempre que gostei de regressar ao meu canto. Partir é bom, emocionante, é uma janela aberta com o sol a entrar a rodos, com o horizonte à vista, ali à espera de nós. Em oposição, regressar pode ser visto como uma porta que se fecha... mas é a nossa porta para o nosso mundo, com o nosso cheiro, os nossos livros, o nosso recanto favorito do sofá, as nossas coisas. Gosto desta certeza de poder voltar a estas paredes, de abrir as janelas, deixar o vento entrar e ver quem passa.
Ser-me-ia muito difícil viver sem me reconhecer e me rever nos objectos que me circundam, que fazem parte da minha história.
Ir de férias é absolutamente necessário, acho mesmo que não conseguia passar sem elas, mas regressar faz-me um bem tremendo à alma e é por isso que digo a mim mesma: "Bem-vinda a casa!"
S.
Fotografia: Matthew McKittrick
Já cá estou...
Mas como a minha mente ainda vem a caminho (o corpo é naturalmente mais obediente nesse aspecto...), só cá vim dizer "olá!".
Fotografia: Orsike
Esta chávena de café vai procurar outras mesas onde pousar... e eu vou mergulhar numas férias de repouso...
A todos os meus amigos (conhecidos e desconhecidos) um bem-haja e até breve.
S.
Apesar de teres partido para sempre, é também para sempre que te vamos recordar...
Estás ao pé da avó, agora, e sei que por isso voltaste a encontrar a felicidade, a calma e a paz.
Até sempre avô.
S.

Um jantar animado com os amigos, uma ida ao cinema e o filho a dormir em casa da avó para não haver preocupação com a hora de deitar... O filme? “Harry Potter e a Ordem da Fénix”. Confesso que nunca fui grande fã das aventuras deste aprendiz de feiticeiro, mas ainda assim fui lendo os livros e tenho cumprido, a cada estreia, este ritual cinematográfico.
Sem ter grandes conhecimentos de cinema apercebi-me, no entanto, que a aposta em David Yates como realizador não foi o que se esperava e que este que não conseguiu transformar aquele que considero o melhor livro da saga de J.K. Rowling num filme à altura.
De salientar as interpretações de Oldman (sempre em grande forma...
), Isaacs, Evanna Lynch e Emma Watson, mas acima de tudo, saliento o facto de o filme ter sido um pretexto para um grupo de amigos trintões com vidas agitadas e que raramente se cruzam, terem passado um serão muito agradável...
Depois de uma incursão atribulada a um hipermercado, estamos de regresso à casa onde passamos o fim-de-semana. Já é noite, mas a lua ainda sobe no céu por entre os ramos dos eucaliptos, e enche o caminho de sombras. O cenário leva o J. a imaginar lobos escondidos na floresta, e os pais aproveitam para lhe contar a história do “menino que fugiu dos pais no hipermercado e foi comido por um lobo”:
“Era uma vez um menino que gostava muito de correr à frente dos pais quando iam às compras. Mas ele não sabia que nos hipermercados havia alcateias de lobos à espreita, à espera de meninos travessos. Quando o menino menos esperava, saltou um lobo por detrás do expositor das gomas e rebuçados e zás...! comeu o menino...! Tão depressa que ele nem teve tempo para chamar pelos pais que tinham ficado para trás!”
- E o lobo comeu o menino inteiro ou partiu-o aos bocados primeiro? – pergunta o J. como se esse pormenor pudesse fazer toda a diferença.
- Comeu-o inteiro! Não sobrou nem um osso! – respondem os pais, que no meio do cansaço, da visualização da tragédia imaginada e da cara de admiração do J. não resistem e desmancham-se em riso.
Lá se foi a pedagogia...
Ilustração: Vocisconnesse
Fotografia: Frusp
Benvinda a este mundo Francisca!
Que a vida seja para ti uma eterna dança de estrelas.
Para vocês papás... muitos parabéns!
Fotografia: -Art-
Na cultura ocidental, é o sétimo mês do ano. Tem esta designação desde o ano 45 a.C. em homenagem a Júlio César. Este imperador romano, nascido provavelmente neste mês do ano 100 a.C., foi o responsável pela reformulação do calendário de Rómulo, um calendário romano antigo que só tinha dez meses. O novo calendário juliano, que assumiu o nome do seu criador, tinha em conta o curso anual do Sol e subsistiu até ao século XVI, altura em que foi reformado pelo papa Gregório XIII.
Em Julho homenageava-se Ceres, a deusa romana da agricultura, oferecendo-lhe vinho e mel para que o clima se mantivesse ameno e favorecesse as colheitas.
Ceres, Deméter para os gregos, é a deusa do cereal. É uma deusa matriarcal, a imagem do poder das entranhas da terra. Diz-se que ela ensinou aos homens as artes de arar, plantar e colher, e às mulheres, como moer o trigo e fazer o pão.
Ceres representa a experiência da maternidade, não só a gestação física, mas a experiência da Grande Mãe, da descoberta do corpo como algo precioso e valioso que requer muita atenção. Significa os prazeres simples da vida, a consciencialização de que somos parte da natureza. Ceres representa uma sabedoria não racional, que vem da natureza, da capacidade de esperar até que as coisas estejam maduras para agir.
Algumas personalidades nascidas neste mês:
A estilista portuguesa Ana Salazar, a actriz e cantora norte-americana Jennifer Lopez, a escritora inglesa J. K. Rowling, a cantora brasileira Marisa Monte, o futebolista português Nuno Gomes, o presidente norte-americano George Bush e o meu “mai lindo”.
Alguns provérbios de Julho:
- Nevoeiro de S. Pedro põe em Julho o vinho a medo
- Quando Julho está a começar, as cegonhas começam a voar
- Em Julho, reina o gorgulho
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar
Adaptado de Infopédia, Julho
Fotografia: François@Edito.qc.ca
Era isto que eu (também) te queria dar ao pequeno-almoço... mas as manhãs são uma parte do dia especialmente complicadas. Por isso aqui fica a imagem, porque os olhos também comem.
PARABÉNS!!!
Fotografia: *Micky*
Chanson Triste, Carla Bruni
Chanson juste pour toi,
Chanson un peu triste je crois,
Trois temps de mots froissées,
Quelques notes et tous mes regrets,
Tous mes regrets de nous deux,
Sont au bout de mes doigts,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson d'amour fané,
Comme celle que tu fredonnais.
Trois fois rien de nos vies,
Trois fois rien comme cette mélodie,
Ce qu'il reste de nous deux,
Est au creux de ma voix,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson en souvenir
pour ne pas s'oublier sans rien dire
S'oublier sans rien dire.
Sim, é um pouco triste para início de semana, mas um bonito tema... além disso, Julho também chegou sem sol...
Fotografia: Revlimit
"(...)
O Homem é um ser paradoxal. Somos bípedes sanguinários, capazes de sadismo feroz. Inventamos máquinas de guerra brutal e instrumentos de tortura indizível. Pilhamos, massacramos, somos de uma ganância ilimitada, de uma vulgaridade ridícula, de um materialismo rasteiro. No entanto, como escreveu o agnóstico George Steiner, "este mamífero desgraçado e perigoso gerou três ocupações, vícios ou jogos de uma dignidade completamente transcendente. São eles a música, a matemática e o pensamento especulativo (no qual incluo a poesia, cuja melhor definição será música do pensamento). Radiantemente inúteis, estas três actividades são exclusivas dos homens e das mulheres e aproximam-se tanto quanto algo se pode aproximar da intuição metafórica de que fomos realmente criados à imagem de Deus".
É por isso que, apesar dos avanços das ciências humanas, da genética, das neurociências, que devem ser maximamente promovidos, permanecerá, íntegra, a pergunta: o que é o Homem?"
Anselmo Borges, in Diário de Notícias
(para ler na íntegra no DN de hoje: "O Homem: Criado à imagem de Deus?")
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